10/29/09
10/28/09
10/27/09
10/26/09
Cornúpetos e Firmamentícios

Búrquio - Assim, tu pões o mundo de cabeça para baixo.
Fracastório - Parece-te que faria mal, um que quisesse inverter um mundo virado às avessas?
Búrquio - Queres tornar vãs tantas canseiras, estudos, suores, acerca de «físicas auscultações», de «céus e de mundos», em que têm alambicado o cérebro tão grande número de comentadores, parafraseadores, glosadores, compendiadores, sumistas, escoliastas, transladadores, divulgadores, teoristas? Em que puseram as suas bases, e lançaram os seus fundamentos, os doutores profundos, subtis, áureos, magnos, inexpugnáveis, irrefragáveis, angélicos, seráficos, querúbicos e divinos?
Fracastório - Adde os tritura-pedras ou quebra-seixos, os cornúpetos, os escoucinhadores. Adde os visionários, paládios, olímpicos, firmamentícios, celestes do empíreo, altissonantes.
Búrquio - Deveremos, a teu pedido, mandá-los todos para uma latrina? Não há dúvida que o mundo será bem governado, se tirarem e desprezarem as especulações de tantos e tão dignos filósofos!
Giordano Bruno - Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos (Calouste Gulbenkian)
10/25/09

Depois destas palavras, voltou-se e, sem se interromper, sentou-se ao meu lado.
- Pense nos gigantes e nos anões. Se acaso é possível representar materialmente o espiritual, então nada é tão significativo como essas figuras da poesia popular. Há duas esferas onde reina a absoluta inocência e ambas se situam na fronteira em que a estatura normal humana, por assim dizer, se dilui no gigantesco ou no minúsculo. Nada do que é humano é isento de culpa. Mas as criaturas gigantescas são inocentes; e a insolência de um Gargântua ou de um Pantagruel - que, aliás, pertencem à dinastia dos príncipes carnavalescos - é disso claríssima prova.
- E isso acarretaria igualmente a inocência do que é pequeno? - disse eu. - Porque o que diz leva-me a pensar na Nova Melusina, de Goethe, na princesa dentro do cofrezinho, cujo isolamento, bem como o seu canto maravilhoso e a sua natureza infinitamente pequena sempre me pareceram a mais perfeita encarnação da inocência. Direi mesmo que a inocência infantil é diferente da inocência do gigantesco.
Foi só depois de uma longa pausa que o dinamarquês voltou a dirigir-se-me.
- Estava o doutor a falar do mundo do frágil e do minúsculo que Goethe tão bem representou na Nova Melusina, e dizia que esse, ao contrário do mundo dos gigantes, é o mundo que a inocência infantil habita. Sabe que tenho as minhas dúvidas? A inocência infantil não seria humana, creio, se não habitasse ambos os mundos, o dos gigantes e o dos anões. Não pense apenas no encanto e na ternura das crianças a construirem castelos na areia ou a brincarem com um coelho. Pense também no outro lado - no descomunal, no desumano, que é o que dá o tom aos mais célebres livros infantis e que fez de Max e Moritz ou do Struwwelpeter personagens não só amados como também úteis. E eles apresentam-se em toda a sua inocência. Eu chamaria a isso canibalismo, a isso que o doutor também conseguiu ler nos lábios do príncipe do Carnaval. O que há de maravilhoso nas crianças é poderem passar sem o mínimo problema de um lado do humano para o outro, ficar de um ou do outro lado da fronteira sem compromissos com o mundo contrário. É precisamente essa ausência de compromisso o que mais tarde vamos perdendo. Podemos debruçar-nos sobre o minúsculo, mas deixamos de poder entrar para lá; podemos divertir-nos com o descomunal, mas não sem um certo constrangimento. Ums criança que se mostra receosa dos adultos move-se entre os gigantes como entre seus iguais.
Walter Benjamin - Histórias e Contos (Teorema)
St. Francis
I have said that these can only be portraits in outline. But the concrete contrast is here so striking, that even if we actually saw the two human figures [St. Francis-St. Thomas] in outline, coming over the hill in their friar's gowns, we should find that contrast even comic. It would be like seeing, even afar off, the silhouettes of Don Quixote and Sancho Panza, or of Falstaff and Master Slender. St. Francis was a lean and lively little man; thin as a thread and vibrant as a bowstring; and in his motions like an arrow from the bow. All his life was a series of plunges and scampers: darting after the beggar, dashing naked into the woods, tossing himself into the strange ship, hurling himself into the Sultan tent and offering to hurl himself into the fire. In appearance he must have been like a thin brown skeleton autumn leaf dancing eternally before the wind; but in truth it was he that was the wind.
Chesterton - St. Thomas Aquinas: The Dumb Ox
10/24/09
10/23/09
Fantástico Melga!!!

Esta maravilhosa caixa metálica (Caim + Evangelho segundo Jesus Cristo) está à venda na Fnac. Os primeiros 100 clientes recebem ainda um action man de José Saramago.









































