O escrito teria sido uma conferência ministrada na “Sociedade de Connaisseurs em Assassinato”. Segundo X.Y.Z., o nome mais correto dessa sociedade londrina seria “Sociedade para o Encorajamento do Assassinato”. Ela seria uma sucedânea de outras sociedades do século XVIII, tais como a “Sociedade para a Promoção do Vício” ou o “Clube do Fogo do Inferno”, clube que de fato existiu, o “The Hellfire Club”, que teve como presidente o bon-vivant Sir Francis Dashwood, mencionado também pelo Sr. X.Y.Z.

Segundo ele, especialistas em crime discutiam na “Sociedade de Connaisseurs em Assassinato” seu tema predileto do mesmo modo “como fariam para comentar um quadro, uma estátua, ou uma obra de arte”. Essa descrição da atitude desses especialistas em crime é, na verdade, uma tradução fiel de um fenômeno que de fato aconteceu no campo cultural europeu cerca de cinquenta anos antes da publicação desse texto.

Refiro-me aos encontros de especialistas em obras de arte que debatiam o que seria o belo, os seus limites e os efeitos sobre os espectadores. O gravurista alemão Daniel Chodowiecki, em duas gravuras de sua série “Natürliche und affectierte Handlungen des Lebens” (“Ações da vida naturais e afetadas”), de 1779, mostra dois especialistas diante de uma estátua. Eles primeiro a observam e depois gesticulam e discutem sobre ela. As duas gravuras se chamam justamente Kunst Kenntnis/Connaissance des arts (Conhecimento das artes).

No comments: