8/31/09

Medieval representation of an androgynous person from Nuremberg Chronicle
8/30/09
8/29/09
A beatitude dos heróis e semideuses

- Eu, respondeu Gargântua, por longa e curiosa experiência, inventei um meio de me limpar o cu, o mais senhorial, o mais excelente, o mais expediente que jamais foi visto. - Qual? disse Grandgousier. - Vou contar como foi, disse Gargântua. Limpei-me uma vez com uma meia máscara de veludo de uma moça, e achei bom, pois a maciez de sua seda me causou uma voluptuosidade bem grande no traseiro. Uma outra vez com um véu, e foi a mesma coisa. (...) Com um gorro de pajem, bem emplumado à suíça. Depois, andando atrás de uma moita, encontrei uma marta e me limpei com ela, mas as suas unhas me feriram todo o períneo. Logo que me curei, no dia seguinte, limpei-me com as luvas de minha mãe, bem perfumadas de benjoim. Depois me limpei com feno, aneto, manjerona, rosas, folhas de abóbora, de couve, de beterraba, de parreira, de alface e de espinafre. (...) Depois, limpei-me com os lençóis, as cobertas, a cortina, uma almofada, um tapete, um outro tapete verde, uma toalha de mesa, um guardanapo, um lenço e um penhoar. Em tudo achei prazer, mais do que em coçar uma sarna. (...) Limpei-me com feno, palha, crina, lã, papel, mas 'sempre os colhões arranha, com certeza/ quem com papel do cu faz a limpeza'. (...) Depois, disse Gargântua, eu me limpei com um gorro, um chinelo, uma bolsa, um cesto, mas que limpa-cu desagradável! Depois com um chapéu. Mas vê que os chapéus são uns lisos, outros peludos, outros aveludados, outros de tafetá, outros de cetim. O melhor de todos é o peludo, pois faz boa absorção da matéria fecal. Depois, eu me limpei com uma galinha, um galo, um frango, um couro de boi, uma lebre, um pombo, um alcatraz, uma pasta de advogado, uma touca.
Mas, concluindo, digo e sustento que não há limpa-cu igual a um ganso novinho, bem emplumado, contanto que se mantenha a cabeça dele entre as pernas. E pode acreditar, palavra de honra. Pois a gente sente no olho do cu uma volúpia mirífica, tanto pela maciez das penas como pelo calor temperado do ganso, a qual é facilmente comunicada ao cano de cagação e a outros intestinos, até chegar à região do coração e do cérebro. E não penses que a beatitude dos heróis e semideuses, que estão nos Campos Elísios, esteja no abrótano, na ambrosia ou no néctar, como dizem estas velhas. Está, segundo penso, em limparem o cu com um ganso novo. Esta é a opinião de Mestre Jehan da Escócia.
Rabelais
Texto via puragoiaba

Escasso é, entre eles o número das moléstias. Não conhecem a gota, a quiragra, a flatulência, pois essas enfermidades provêm do ócio ou da intemperança, ao passo que eles se livram, com a frugalidade e com o exercício, de toda superabundância de humores. Consideram vergonhoso cuspir ou escarrar, dizendo que esse vício denota pouco exercício ou reprovável preguiça, ou resulta da devassidão ou da gulodice. São, antes, sujeitos às inflamações e ao espasmo seco, em cujo tratamento empregam alimentos sãos e nutritivos. Curam a tísica com banhos mornos, com laticínios, com a amenidade das habitações campestres, com moderado e agradável exercício. A sífilis não pode fazer progressos, porque lavam assiduamente o corpo com vinho, untando-o com óleos aromáticos, de forma que o suor elimina o vapor fétido de que deriva a corrupção do sangue e da medula. A tísica é rara, só muito poucas vezes sofrendo eles de catarros pulmonares, sendo que mal conhecem aquela espécie de asma que provém da densidade dos humores.
Tommaso Campanella - A Cidade do Sol

Tristan told his heart to Isolde in song;
I blush!
Oh dear, but the song was six hours long;
I blush!
What they did was wrong beyond a doubt
If it took so long to sing about;
And the thought can make my lily
Cheek to flush.
I blush!
Oh dear, how they yodeled of love and death;
I blush!
They died not from love but from lack of breath;
I blush!
That it was
A proper way to die
It is, silly to pretend.
I blush, but oh dear,
What a lovely end!
Lorenz Hart
8/28/09
* Diz Plínio que a língua da sanguessuga é bifurcada.
Erasmo de Roterdão - Elogio da Loucura
os seios na dança

Todas as mulheres, tanto as que estão destinadas à maior quietude, como as que estão destinadas à maior inquietação, deviam aprender um passo de dança, criado só para se desenvolver em todo o potencial a graça dos seus seios. (...)
Os seios sentem a loucura da dança com um frenesi que chega por vezes a assustar,
porque parece que vão pegar fogo, que vão incendiar-se de tanto roçarem um no outro. (...)
Os seios na dança são como um mar embravecido, e a sua ondulação dá uma vertigem que embriaga. (...)
Os seios na dança não são do homem; libertam-se na dança,oferecem-se no altar dos sacrifícios, na ara em que arde o fogo, oferecem-se ao Deus varonil que ama essas oferendas, e ardem na ara como ardiam os carneirinhos que se ofereciam em holocausto. É na dança que os seios estão mais longe do homem, quando ninguém se pode aproximar deles, quando estão mais solitários e mais oferecidos a si mesmos.
Línguas de fogo da dança, suprema voragem, vórtice do espectáculo de viver que a vida pode dar, sinal de rebate que convém dar aos corações para que sejam livres, exaltados e revolucionários!
Ramón Gómez de la Serna
8/27/09

Jorge Sanjinés - El Coraje del pueblo
8/26/09
Total depravity

"Total depravity (also called total inability and total corruption) is a theological doctrine that derives from the Augustinian concept of original sin. It is the teaching that, as a consequence of the Fall of Man, every person born into the world is enslaved to the service of sin and, apart from the efficacious or prevenient grace of God, is utterly unable to choose to follow God or choose to accept salvation as it is freely offered.
Total depravity does not mean, however, that people are as evil as possible. Rather, it means that even the good which a person may intend is faulty in its premise, false in its motive, and weak in its implementation; and there is no mere refinement of natural capacities that can correct this condition. Thus, even acts of generosity and altruism are in fact egoist acts in disguise.
This idea can be illustrated by a glass of wine with a few drops of deadly poison in it: Although not all the liquid is poison, all the liquid is poisoned. In the same way, while not all of human nature is depraved, all human nature is totally affected by depravity."










































