
Salome - F. Markham Skipworth, c. 1897
A – Mas como, senhora, sonharemos juntas? Tenho sono, e gostaria de sonhar; mas não quero dormir, porque os sonhos, quando se dorme, são de outra alma, e cruzam-se com os que desejaríamos ter, como os peregrinos nas encruzilhadas.
S[ALOMÉ] – Eu farei para mim um sonho, e esse sonho será uma história. Irei contando alto essa história, e vós ouvireis e sonhá-la-eis comigo. Uma ou outra de vós, quando a história lhe for ensopando a alma, me irá dizendo o que vê na alma dessa história, e que eu me esquecesse de contar. Será como um canto em que cantemos juntas num sentido, e cada uma por sua vez na voz. Dizei-me que pode ser assim, para que eu passa sonhar a história que há-de ser.
A2 – Se a história for bela, senhora, será pena que fosse apenas sonho; se não for bela, será pena que se houvesse contado.
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